Dr. José Pinto
– O Doutor António Barbosa
de Sousa Brandão (continuação) –
A 27 de Outubro de 1898, três anos após o seu
casamento e a sua tomada de posse da comarca de Salsete, na Índia portuguesa, o
Doutor António recebe a notícia do falecimento de seu pai, Joaquim José de
Sousa Brandão, viúvo, há já 22 anos, que residia na sua casa, na rua Alexandre
Herculano, nº 233, da cidade do Porto, juntamente com seus filhos, maiores, mas
ainda solteiros, José Augusto de Sousa Brandão, D. Maria Barbosa Brandão e D.
Cândida Barbosa Brandão.
Era o seu falecido pai um abastado proprietário e
capitalista, quer na freguesia de Sobrosa, sua terra natal, quer na cidade do
Porto e até no Brasil, a avaliar pela escritura de partilha amigável de bens,
feita pelos seus herdeiros, em 2 de Junho de 1900, na presença do tabelião José
Cândido Pinto da Cunha, na freguesia de Baltar, concelho de Paredes. Ali
compareceram, como primeiros outorgantes, a senhora D. Amélia Augusta Brandão
de Azevedo, devidamente autorizada por seu marido, o senhor Alfredo Djalme
Martins de Azevedo, tenente de artilharia ( mais tarde coronel ), como segundo
outorgante, a senhora D. Maria Barbosa Brandão, solteira, como terceira
outorgante, a senhora D. Cândida Barbosa Brandão, solteira, como quarto
outorgante, o senhor José Augusto de Sousa Brandão, também ainda solteiro, e,
como quinto outorgante, o senhor António Ferreira Pacheco Brandão, solteiro,
maior, proprietário, morador na freguesia de Santa Eulália de Sobrosa, no lugar
da Torre, na qualidade de procurador do
senhor Doutor António Barbosa de Sousa
Brandão, delegado do Procurador da coroa e Fazenda, na comarca de Salsete, na Índia portuguesa, com a
devida autorização de sua esposa, D. Laura Maria Machado de Sousa Brandão, como
provou pela respectiva procuração que apresentou e ficou a constar da
escritura.
O procurador escolhido pelo Doutor António Barbosa de
Sousa Brandão, para o representar, neste acto, com todos os poderes, era seu
primo que, juntamente com seu irmão mais velho, Joaquim Ferreira Pacheco
Brandão, eram os proprietários da “Casa de Sousas” do lugar da Torre, filhos de
Germana de Sousa, irmã de seu falecido pai, e de Vitorino Ferreira Pacheco.
Segue-se a relação de bens que constam do testamento
cerrado, feito um ano antes do seu falecimento, já devidamente atribuídos a
cada um dos herdeiros, alguns em
usufruto vitalício, com os respectivos encargos em relação aos outros, salvo os
bens da quinta dos Gentios, em Sobrosa e os da freguesia da Madalena, que já eram pertença do Doutor
António Barbosa de Sousa Brandão, por fazerem parte do inventário orfanológico,
por falecimento de sua mãe, e que os licitou, juntamente com seu pai.
Os bens imobiliários, na cidade do Porto, eram vários.
Além do prédio onde residia, na Rua Alexandre Herculano, nº 233 possuía outros,
na rua de Santo António, o que fazia dele um grande proprietário.
No Brasil, possuía 100 acções nominativas do Banco
Comercial do Rio de Janeiro, no valor nominal de dezoito mil reis fracos cada
uma, sendo divididas igualmente pelos seus cinco herdeiros, e, também um prédio
na rua de S. Pedro, nº 86, da cidade do Rio de Janeiro, avaliado em oitenta
contos de reis fracos, tendo os herdeiros acordado que ficasse em comum, sendo
as rendas do mesmo divididas, por igual, entre eles, anualmente.
O fascínio pelas terras de África levou o Doutor
António Barbosa de Sousa Brandão da Índia para Angola, onde viveu grande parte
da sua vida.
Do seu casamento com D. Laura Maria Machado de Sousa
Brandão nasceram dois filhos, José Maria Machado Sousa Brandão e Alberto
António Machado de Sousa Brandão, que fizeram carreira no Brasil, o primeiro,
como negociante e, também, advogado, o segundo como corretor oficial de
mercadorias, tipo despachante alfandegário, mas com representatividade em
alguns Estados brasileiros.
Casaram os dois irmãos no mesmo mês e no mesmo ano, no
Brasil, em Fevereiro de 1925: O José Maria Machado de Sousa Brandão com D.
Susana Andrée Renée Grosemans, de nacionalidade belga, e o Alberto António
Machado de Sousa Brandão com D. Maria Madalena de Araújo Neves e Távora, de
nacionalidade brasileira.
Dois anos após o casamento de seus filhos, faleceu o
Doutor António Barbosa de Sousa Brandão, com 63 anos de idade, em 12 de
Setembro de 1927. Da sua certidão de óbito consta que, veio a falecer
acidentalmente, na Casa de Sousas, onde nascera seu pai, no lugar da Torre,
freguesia de Santa Eulália de Sobrosa, que era Juiz aposentado da Relação de
Luanda, viúvo de D. Laura Maria Machado de Sousa Brandão, e que foi sepultado
no cemitério da freguesia de Sobrosa, em jazigo de família.
Em 24 de Julho de 1928, os seus dois filhos, por
escritura de partilhas, dividem entre si os bens que seu pai lhes deixou em
testamento público, celebrado em 29 de Agosto de 1927.
Foi ao Dr. José Maria Machado Grosemans de Sousa
Brandão, neto do Doutor António Barbosa de Sousa Brandão, advogado, ainda hoje,
na cidade de S. Paulo, no Brasil, que os senhores Ernesto Sousa Brandão e
seu irmão, Joaquim Sousa Brandão, há já alguns anos, compraram os bens que faziam parte da quinta dos
Gentios, acabando o Sr, Ernesto Brandão por ser o único proprietário desses
bens, por ter negociado com seu irmão a sua quota – parte.
Caíram em boas mãos os bens da Quinta dos Gentios. Que
o digam a freguesia e, em especial aqueles que estão a usufruir do
empreendimento que ali fora construído.